Heartbreaker
By Lunacapitulo 1
15/8/2013,
09h51min h
Nem a expectativa de morar um ano na
cidade dos seus sonhos fazia Vinicius gostar dos aeroportos. As pessoas
correndo atrasadas, velhos sendo barrados por detectores de metais (custava
lembrar de tirar o cinto?), casais se despedindo e o cheiro fétido dos
banheiros dava a ele a sensação de estar ilhado, mas não como as dezenas de
pessoas com seus Ipads, Iphones, celulares e tablets. Certo, ele tinha alguns
desses aparelhos. Mas, se fosse para ficar ilhado, preferia os livros ou uma
boa musica.
Trazia em sua bagagem de mão seu celular, o velho MP3 e uma quantidade absurda de livros, além de uns poucos materiais de desenho. A viagem para Londres não seria muito fácil, nem curta. Abriu a mochila. Olhou, pensou um pouco. Percebeu que estava aborrecido demais para ler alguma coisa. Nem pensou em pegar seu caderno de desenho, pois tinha certeza de que ficaria tão nervoso que encheria cerca de cinco páginas de rabiscos e acabaria chamando a atenção da senhora sentada ao seu lado.
Ainda lhe restava o MP3. Pescou o
aparelho dentro da mochila e passou três minutos desenrolando os fones de
ouvido. Colocou os fones e pôs para tocar no volume máximo qualquer musica do
U2 que o deixaria realmente deprimido e extremamente ilhado.
“Ah, beleza, Babyface! Isso vai
levantar muuuuuito a minha moral!” ele pensou. Essa já havia sido a musica de
Marina.
Marina era uma garota que estudava a
dois anos no mesmo colégio que Vinicius. Eles namoravam há 1 ano e 5 meses, no
máximo, mas depois acabaram se afastando por causa da idéia do intercâmbio e
ela conheceu outro garoto.
O garoto suspirou e controlou o
impulso de jogar o MP3 na parede e quase causar um ataque cardíaco na senhora á
sua direita, que agora comia algumas passas.
Apoiou os cotovelos nas pernas, segurou a cabeça e fechou os olhos por
alguns minutos. Quando abriu, seu olhar se dirigiu quase automaticamente em
direção a um homem de cerca de 20 anos, que parecia estar indescritivelmente
feliz. Era tão engraçado ver pessoas indescritivelmente felizes no Brasil.
O homem olhou para ele. Ele tinha
olhos negros, muito negros, o que dava a impressão de serem realmente muito
profundos.
“Você tem
olhos profundos como a noite”, era o que o garoto sempre dizia para a sua
namorada. E ela sempre respondia: “você não faz idéia do quanto é engraçado ser
elogiada assim por um garoto de olhos verdes”.
...
Nem o fato dos aeroportos serem realmente detestáveis fazia Eric parar de pensar na expectativa de voltar a morar em sua cidade natal. Ele estava realmente feliz.
Nem o fato dos aeroportos serem realmente detestáveis fazia Eric parar de pensar na expectativa de voltar a morar em sua cidade natal. Ele estava realmente feliz.
Recostou-se em sua cadeira,
esperando a chamada para embarcar no avião, fechou os olhos e sorriu. Quando os
abriu, percebeu que era observado. Era um garoto lindo, com olhos realmente
muito verdes, que o observava com curiosidade.
“Autocontrole,
Eric, lembre-se”, ele pensou. Não queria que aquela criança tão perfeita
descobrisse todos os segredos escondidos sob os falsos olhos negros
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