Eu não gostei muito dessa história, mas como tô com falta de criatividade e faz muito tempo que eu não posto nada de interessante, vai isso mesmo
É baseada em uma música de Vocaloid. Aqui tá a versão original e aqui tá a versão que eu ouvi enquanto escrevia.
Ah, e um aviso: vou mudar o layout do blog u3u
In a Rainy Town, Balloons Dance With Devils
Carlinhos vivera uma vida miserável como a única criança de saúde frágil do Orfanato Municipal Santa Luzia.
Os pais que vinham adotar filhos não sabiam de nada. Não conheciam a vida ruim que Carlinhos levava, preferiam catar as crianças bonitas e deixá-lo a mofar mais e mais. Que o adotassem logo, por favor, nem que fosse para jogá-lo na rua logo depois…!
Acontece que, com a pouca evolução do século XVII, poucos medicamentos eficientes eram realmente proporcionados, sabe?, e mesmo assim, insistiam em jogá-los goela abaixo de Carlinhos, como se o alimentassem de falsas esperanças através de injeções doloridas.
Carlinhos ficou louco.
Todas as vezes que chovia, a chuva era vermelha, da cor do sangue. Tudo parecia preto e branco para ele - muito mais preto do que branco, na maioria dos casos -, e ele já não via as freiras como mulheres. Mal conseguia se pronunciar. Ele babava, gritava, esperneava e chorava todas as vezes que aqueles dedos longos tornados em tentáculos monstruosos lhe tocavam a pele.
Assim, um pouco entorpecido e enroscado em seus próprios braços, o menino foi levado numa carruagem negra que balançava loucamente até um outro lugar. No começo, ele ficou irritado com os barulhos da carroça, mas não havia nada que pudesse fazer, estando preso no transe ao qual os remédios lhe lacravam eventualmente.
Carlinhos se perguntava que tipo de pessoas seriam seus pais. Quando ele chegou na sua nova casa, não viu mais nada em preto. Achou que sua família nova era muito rica, já que moravam num lugar tão grande e chique. Não era bonito. Ele se sentia estranhamente calmo quando andava por lá. Seus novos empregados o guiavam até seus aposentos e o acomodavam e novas roupas quentinhas para protegê-lo do frio. Ele agradeceu e os dispensou com murmúrios. Eles foram embora.
Não tinha muita coisa no quarto de Carlinhos. Era tudo muito branco, tão branco que seus olhos doíam. Não tinha nenhuma janela. Tinha uma cama, só isso, onde ele estava deitado. Sentiu-se incomodado por só poder olhar o teto em sua posição, então fechou os olhos e se virou de lado. Quando os abriu novamente, seu campo de visão inteiro ainda era branco. Sentiu-se um pouco desesperado e queria sair. Notou que a cama era relativamente alta. Cair dali doeria.
Chegou então seu pai para visitá-lo. Ele quis pular e abraçá-lo, mas foi assim que percebeu que tinha alguma coisa errada.
Não conseguia se mover, por mais que tentasse, porque as roupas grudavam seus braços bem juntinhos ao corpo pequeno. Começou a se contorcer. Entraram duas mulheres, talvez uma mãe e tia ou duas irmãs.
Quando eles o perguntavam como ele se sentia, ele falava bobagens sobre sua cidade. Assim, seu pai e as duas familiares enfiaram nele mais injeções. Um dia, um remédio fez com que Carlinhos dormisse e acordasse com uma enorme dor de cabeça e uma faixa que a cobria. Mas ele ainda acordava. "É para o seu bem", ele ouviu lhe dizerem todas as vezes que a visão do soro o incomodava. Lhe era dita a mesma frase no orfanato, mas aqui fazia mais sentido.
Em sua nova casa branca, ele recebia amor. Era para o bem dele. E não era tão ruim assim! Ele ficava ali, parado, o dia inteiro, não ouvia nada, não via nada além das paredes brancas, tampouco podia se mover. Isso ia entorpecendo seus sentidos, mas despertando novos.
Carlinhos estava curado para sonhar em plena luz do dia! Ele via balões vermelhos e pequenas criaturas negras que sussurravam para ele. Ele sussurrava de volta, eles, amigos, riam todos juntos em seu próprio mundo pessoal. Carlinhos estava feliz. Quando seu "pai" lhe perguntou com quem ele conversava e de quê ele tanto ria:
"Soro chorão, os balões voam, benéficos e arejados.
E amanhã? Olhe estes céus limpinhos nos quais oscilam - olha ali!
Nesta cidade chuvosa, demônios sussurram, "ranbara, ranbara, ranbara"
procurando aquilo que perderam.
Sons fracos em seu sono, assim que respira, "rohjira, rohjira, rohjira"
e eles não te encontram, eles não te encontram.
Sugestões de agulhas, as quais talvez dêem a ideia de opressão,
que lindas! Olhe o balão, que está tão tonto… que lindo!
Numa floricultura, abrigo para a chuva, o dono da loja diz que "ranbara, ranbara, ranbara"
e ele desaparece, ele desaparece.
"Venha cá, onde se escondeu?", assim que respira, "rohjira, rohjira, rohjira",
e eles não te encontram, eles não te encontram.
Nesta cidade chuvosa, demônios sussurram, "ranbara, ranbara, ranbara"
procurando aquilo que perderam.
Sons fracos em seu sono, assim que respira, "rohjira, rohjira, rohjira"
e eles te encontram, eles te encontram."
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